Sempre gostei de me aventurar na cozinha, mas nunca me preocupei em executar preparações a base de açúcar. A minha culinária era basicamente composta de massas e saladas, o que me traziam lembranças da minha infância. Como é bom poder voltar no tempo através do paladar!

Já não me contentava mais em apenas combinar os aromas e os sabores dos pratos principais e dos molhos para as saladas e enveredei pelas entradas frias e inventei algumas novas. Deveria me dar por satisfeita, pois recebia o reconhecimento da família e dos clientes a cada nova experiência, mas ainda não me sentia realizada, sentia que havia uma lacuna no meu trabalho que não sabia como preencher.

Um dia recebi um e-mail com o título “casa da vovó” e como estava para tornar-me avó pela primeira vez isso me chamou a atenção.Tratava-se de um texto muito interessante com as memórias que um adulto tinha da casa de seus avós. No texto, o personagem relembrava o sabor dos doces de sua avó, uma coisa que nunca esqueceria. Então eu realmente senti vontade de começar a fazer doces, pensando nos meus futuros netos.

Comecei a fazer vários cursos especializados em doces finos e me vi fascinada por este novo mundo de cores e sabores. Sempre com muita paciência, por ser um trabalho artesanal.

Não tenho mais a sensação de que me falta alguma coisa, a não ser a agradável busca por receitas novas. O mais importante é que procurando agradar os netos, descobri que tinha dentro de mim um pouco das minhas antepassadas doceiras de Minas Gerais.
Se vou ser lembrada pelos doces, só o tempo dirá.